Todos os artigos Gestão Financeira

Faturar mais é o último passo, não o primeiro

Vitor Rehbein··5 min de leitura
Vitor Rehbein no palco falando sobre margem e lucro em clínicas

Tem clínica que fecha o mês faturando mais do que no mês anterior e com menos dinheiro no caixa. O dono olha o extrato, não entende, e chega sempre na mesma conclusão: preciso vender mais.

Vender mais é quase sempre a última coisa que ele deveria estar fazendo naquele momento. Não porque faturar seja ruim, mas porque é o terceiro passo de uma sequência e ele está começando por ele.

Faturamento é a métrica mais fácil de comemorar e a que menos diz

Numa mesa de empresário, ninguém fala de faturamento. Faturamento é a maior métrica de vaidade que existe: mede o tamanho do movimento, não o tamanho do resultado.

Eu prefiro uma clínica faturando 100 mil a uma clínica faturando 150 mil, se com 100 mil sobra mais dinheiro no fim do mês. Menos agenda, menos material, menos desgaste de equipe e mais lucro. Alguém aí perdeu alguma coisa?

Isso não quer dizer que faturamento não importe. Empresa que não cresce, quebra. A pergunta é outra: até que ponto a única solução é faturar mais? Se essa é a primeira e a única saída que você enxerga para o seu resultado, você ainda está tratando a sua clínica de forma amadora.

Primeiro passo: ter meta de custo

Toda clínica tem meta de faturamento. Está no quadro, a equipe sabe de cor, o dono acompanha por dia. Agora pergunte qual é a meta de custo do mês e repare no silêncio.

Um real de custo fixo a menos é um real de lucro a mais. Cai inteiro, no mesmo mês, sem depender de nenhum paciente novo entrar pela porta, sem depender de conversão, sem depender de agência.

Um real de venda a mais não é um real de lucro a mais. Daquele real sai material, imposto, taxa de cartão, repasse do profissional, a fatia do custo fixo. Sobra um pedaço — e na maior parte das clínicas esse pedaço é bem menor do que o dono imagina, porque ele nunca calculou.

Um real de custo fixo a menos é um real de lucro a mais. Um real de venda a mais não é.

Então, antes da próxima campanha, faça o exercício chato. Onde a sua estrutura está obsoleta? Que contrato você renova no automático há três anos? Que assinatura ninguém usa? Que função existe porque sempre existiu? Aí está o dinheiro mais barato de buscar na sua clínica.

Segundo passo: arrumar a margem, que é oferta e preço

Depois de cortar o que dava para cortar, o ganho seguinte está na margem de cada venda, não no volume delas. É melhorar a oferta e acertar a precificação.

E aqui vem a quebra de expectativa: não tem nada de novo para inventar. O jeito correto de precificar é o mesmo há mil anos, a fórmula é a mesma. O que as clínicas não fazem é colocar os custos certos dentro dela e fazer o básico bem feito.

O básico começa numa DRE. O empresário que não tem um demonstrativo de resultado do exercício não tem um negócio. Ele está empreendendo, está vendendo, provavelmente está ajudando muita gente — mas não tem um negócio de verdade, porque não consegue dizer quanto do saldo da conta é lucro, quanto ele pode tirar e quanto precisa provisionar.

Com a DRE na mão, a precificação entrega as duas únicas informações que interessam na hora de fechar um tratamento: o preço que garante a margem que você busca e o preço mínimo. Dentro desse intervalo você negocia à vontade com o paciente. Abaixo do mínimo, ou você não tem a margem que espera ou você está tomando prejuízo — e descobre isso três meses depois.

Por isso tabela de mercado não resolve. Duas clínicas com custos fixos diferentes têm preços diferentes. Regra de repasse diferente, preço diferente. Volume de venda diferente, preço diferente. Alíquota de imposto diferente, preço diferente. Copiar o preço do colega é adotar a estrutura de custo dele, que você não tem.

Terceiro passo: agora sim, vender mais

Com custo enxuto e margem definida, vender mais multiplica lucro. Sem isso, vender mais multiplica trabalho. O lucro da sua clínica é o somatório do lucro de cada venda que ela faz — se cada venda está mal calculada, o volume só acelera o erro.

Inverter essa ordem tem um preço concreto, e o caso mais comum é o do profissional que decide crescer de estrutura. Ele passa anos numa sala alugada ou dividindo espaço, monta a carteira, chega a 100 mil por mês e conclui: é hora de abrir a minha clínica.

Só que aqueles 100 mil foram construídos com uma precificação que só fechava porque ele quase não tinha custo fixo. Sem secretária, sem folha, sem infraestrutura para ratear. Quando ele assume aluguel, equipe e estrutura, o rateio do custo fixo entra na conta e o preço tem que subir.

Aí metade da carteira sai. E ele fica com a sensação mais frustrante que existe: faturo mais hoje do que faturava antes, e ganhava mais dinheiro lá atrás, no consultório pequeno. Ele não errou o sonho. Errou a ordem — cresceu de estrutura antes de arrumar o preço.

O que olhar antes da próxima campanha

Se você só tem uma hora esta semana para mexer no seu resultado, use nesta sequência:

  • Monte a DRE dos últimos três meses. Sem ela, todo o resto é chute.
  • Liste o custo fixo linha por linha e defina uma meta de custo para o mês, do mesmo jeito que você define a de faturamento.
  • Calcule o preço mínimo dos cinco procedimentos que mais saem. Só desses cinco, para começar.
  • Compare com o que você cobra hoje e com o que a sua equipe está autorizada a dar de desconto.

Depois disso, se ainda faltar resultado, aí sim é hora de encher a agenda — e o dinheiro que entrar vai ficar. Você sabe dizer qual foi a sua meta de custo deste mês?

VR
Vitor RehbeinTime bmo

Quer ver esses números na sua clínica?

Em 45 minutos a gente mostra quanto sobra hoje e onde dá para melhorar. Sem compromisso.

Quero um diagnóstico gratuito

Continue lendo